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17 janeiro 2020

“É possível aumentar a oferta de arrendamento tradicional sem atacar o AL”

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alojamento local

Abriu a porta de casa em Portugal há dois anos e, desde então, acolheu mais de 20 mil hóspedes. A gestora de alojamento local Hostmaker chega ao início de 2020 com cerca de 250 propriedades sob gestão, e com o objetivo de fechar o ano com quase o dobro. Para já, a empresa só opera na região de Lisboa, mas o Porto está na mira dos responsáveis da startup em Portugal.

A capital portuguesa foi a cidade que mais cresceu, entre as nove onde a Hostmaker presta serviços. Atualmente, só Londres fatura mais que Lisboa. É também por isso, mas não só, que os líderes da empresa em Portugal não poupam críticas à instabilidade legislativa e ao aumento da carga fiscal de que o setor tem vindo a ser alvo.

A criação de zonas de contenção é uma das medidas que merece reparos por parte de David Costa, Senior Business Development Manager da Hostmaker em Portugal. Para o responsável, o conceito carece de “justiça”.

“A criação de zonas de contenção afetou o alojamento local tal como afetou todo o mercado imobiliário. No fundo, obrigou o setor a explorar outras zonas da cidade. Acredito que os turistas que visitam Lisboa não querem vir apenas para o Bairro Alto. O Al funciona muito bem noutras zonas. É quase como ir a Barcelona e ficar alojado nas Ramblas. Muita gente não quer porque não se vê nada a não ser turistas”, afirmou o responsável durante um encontro com jornalistas.

A intenção do Governo, revelada no Orçamento do Estado, de aumentar a carga fiscal do AL nas zonas de contenção não é, por isso, vista com bons olhos.

“Não faz sentido e vamos ver se vai para a frente. É grave ver um ministro dizer que o arrendamento tradicional paga 28% de impostos e o AL vai passar a pagar 14%, referindo que não há paridade fiscal. O alojamento local tem custos bastante superiores ao arrendamento tradicional. Custos operacionais, com mobília, paga IVA e precisa que o proprietário esteja disponível 24 horas por dia”, sublinha David Costa.

E lança a questão. “Porque é que, em vez de subirmos os impostos do AL, não baixamos os impostos do arrendamento tradicional? Há muitas medidas que podem contribuir para aumentar a oferta de arrendamento tradicional que não implicam atacar o AL. Nas zonas de contenção, se houver um aumento dos custos, as pessoas vão acabar por sair”, antecipa.

“O AL permitiu às cidades ter uma nova vida, permitiu as pessoas terem um rendimento extra, não faz oposição à hotelaria, criou negócios à volta e fomentou o comércio local. Somando tudo isto, não se compreende este ataque. No futuro vamos ver se não precisam outra vez do alojamento local”, remata o responsável.

A indefinição em torno do alojamento local levou a Hostmaker a estudar outras formas de gerir propriedades. Em Barcelona, a empresa adotou um modelo de “meio termo”, entre o arrendamento tradicional e o alojamento de curta duração. Este segmento implica arrendar casas por um prazo superior a 30 dias. A startup está neste momento a estudar se é viável em Portugal.

“Estamos a tentar perceber se é um segmento que se enquadra no alojamento local ou não. A parte legal ainda é incerta. O nosso contrato normal é de prestação de serviços, com os proprietários. Neste caso teria de ser feito um contrato de arrendamento com o proprietário, superior a 30 dias. Estamos a analisar as questões legais, porque os registos que a empresa tem de ter para operar com este modelo são diferentes. É uma das possibilidades para 2020”, avança Marta Salgado, Assistant General Manager da Hostmaker.

Com este tipo de oferta a empresa conta atrair estudantes internacionais de mestrado, jovens profissionais que prestam trabalho remoto na área tecnológica ou pessoas que procuram comprar casa e precisam de uma alternativa temporária.

Em fevereiro, a Hostmaker espera concluir uma ronda de investimento de série C, para a qual tem o objetivo de captar 45 milhões de euros. Se concluída com sucesso, a empresa terá captado desde que foi criada, em 2014, um total de 90 milhões de euros, sendo a empresa europeia deste segmento com mais capital reunido.

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